quinta-feira, 11 de junho de 2009

Anjo meu...


Uma ventania de longe sobreveio.
Medo e insegurança eu sentia.
Sacudiram minhas estruturas.
Meus muros caíram.
Desprotegido fiquei.
Minhas bases tremuladas.
Abraçado aos meus joelhos.
Suspirava lamuriosamente.
Titubeante minh’alma sentia-se.
Amolecido estava meu coração.
Dias dissaborosos eu passei.
Meus sentimentos choravam.
Desesperançado.
Desacreditado.
Lacrimejante.
Esquecido.
Seqüelado.
Frustrado.
Cansado.
Dolorido.
Largado.
Ferido.
Só.
Preso numa memória de dor.
De descontentamento.
De indiferença.
De abandono.
De descaso.
Querubim.
Vieste ao meu encontro.
Surgiste para mim de uma forma inesperada.
Seu olhar brilhou naquele momento.
Não consegui parar de ver seus olhos.
Sonhava com teu abraço.
Devaneava com teus lábios.
Meu coração acalentava-se na sua imagem.
Enrubescida minha face estava.
Nos meus pensamentos te chamei.
Pousaste nos meus pés como uma estrela cadente.
Brilhaste de forma contagiante.
Açacalava o meu fulgor.
Senti suas mãos amorosas passando pelo meu peito.
Pelos meus cabelos.
Aninhar-me no seu peito me aprazia.
Em ti eu senti toda a ternura do mundo.
Um representante das estrelas.
Um belo arcanjo me encontrou.
Possuíste um leque imenso de soluções para os meus desejos.
Arrancaste o meu medo.
Atingiste-me como um raio de Sol.
Queimou-me na minha noite escura.
Você é tudo que eu preciso.
Viciaste-me na tua face.
Jurei-me que não cairia de novo.
Agora rendido estou.
Sua lembrança me faz sonhar.
A sua ternura me encanta.
Seu perfume me alimenta.
Sua presença me fascina.
Você me faz escrever.
Quebrando todas as regras que eu tinha você está.
Risco que agora corro.
Anjo meu.
Quero-te.


Cláudio M.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Vontade...

Uma intenção fugitiva.

Acordei assim hoje.

Fantasia não realizada.

Utopia almejada.

Delírio.

Um desejo voraz.

Quero sair daqui.

Preciso ir embora.

Pra onde?

Qualquer lugar.

Ir morar com um Óvni.

Habitar uma ilha deserta.

Esconder-me no alto da montanha.

Dormir por uns dias.

Fechar os olhos e acordar no próximo século.

Subir nos lombos da águia e desaparecer com ela nos céus.

Aliás, eu sei.

Quero deleitar-me no mundo dos meus sonhos.

Não mais chorarei.

Não mais sofrerei.

Não mais serei traído.

Não mais verei a morte.

Não mais verei a guerra.

Não mais sofrerei por amor.

Não mais serei apunhalado.

Não mais precisarei de alimento.

Não mais serei tratado com frieza.

Não mais verei os que passam frio.

Não mais calarei minha indignação.

Não mais verei o gemido da natureza.

Não mais verei a injustiça dos homens.

Não mais precisarei esconder o que sei.

Não mais precisarei chafurdar na lama.

Não mais verei os necessitados de ajuda.

Não mais terei lembranças desse mundo.

Não mais precisarei lidar com os invejosos.

Não mais precisarei conviver com os falsos.

Não mais precisarei adaptar-me à imundícia.

Não mais precisarei deixar de ser eu mesmo.

Não mais precisarei compartilhar com o errado.

Não mais serei confundido com o que não é digno.

Não mais serei condenado pela minha ingenuidade.

Não mais verei olhos famintos que me partem o coração.

Não mais sofrerei as decepções que esse mundinho me trás.

Não mais precisarei do dinheiro que é imundo e destrói as pessoas.

Não mais perderei meu sono preocupado com as confusões que me envolveram.

Preciso da paz que esse mundo até hoje não me ofereceu e nem oferecerá.

Dói ser profundo no meio dos superficiais.

Dói amar e não ser amado.

Dói não ser correspondido.

Dói ser comparado.

Dói ser sentimental.

Dói gostar demais.

Dói não ter valor.

Feridas sempre são abertas.

Seqüela.

Calo.

Dor.

Cicatrizes inoportunas.

E eu?

Preciso colocar pra fora o que sinto de verdade.

Preciso de profundidade.

Cansei de lidar com egoístas.

Cansei de conviver com gente efusiva.

Preciso de sentimentos verdadeiros.

Cobiço solidez.

Preciso esquecer tudo.

Não quero lembrar-me de nada.

Não quero ouvir mais nada.

Não quero mais.

Aqui não me cabe.

Isso não me pertence.

Almejo morar na quarta dimensão.

Quero ser seqüestrado pelo infinito.

Roubado desse mundo.

Não quero resgate.

Nem lamentos pela minha partida.

Estarei muito melhor.

Quero ser engolido pelo Verbo.

Lá não haverá noite.

O amor será minha luz.

Lá toda lágrima se enxugará.

Não haverá morte.

Nem choro.

A cidade é de ouro.

O muro construído de jaspe.

Os adornos de safira, esmeralda e rubis.

Não precisarei da minha pobre riqueza terrena.

Subirei em montanhas de diamantes.

Nadarei no rio da eternidade.

Mergulharei em águas profundas.

Gozarei os sentimentos que me foram dados.

Comerei da fruta que dá a vida eterna.

Não terei mais sono.

Minhas forças serão renovadas como as da águia.

Entrego-me.

Desfaço-me.

Renuncio-me.

A eternidade, eu quero.

Cláudio Macedo.