segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Eu desci...


Foi necessário.
No portal um vento quente.
Uma longa escada sumia na escuridão.
Ar abafado.
Comecei a descer.
Dificuldades para respirar, eu tive.
A escuridão me abraçava.
Eu estava só.
Um barulho ensurdecedor que eu não identificava.
A cada degrau mais quente ficava.
Minha memória foi ligada.
Várias coisas começaram a fazer sentido.
Era o momento de eu consertar tudo.
No circuito elétrico da minha memória.
Fios desencapados.
Lâmpadas queimadas.
Interruptores quebrados.
Resistores abandonados.
Agora tudo começava a funcionar.
Minha mente já estava iluminada.
A luz do discernimento voltou a clarear.
Minha boca permanecia calada.
Meus olhos fixados na escuridão.
Comecei ouvir vozes.
Gargalhadas de luxúria.
Uma alegria satânica.
Superficial.
Mofada pelo tempo.
Minhas pernas continuavam a descer.
Ali meu corpo não estava só.
Rodeado por uma multidão sem identidade.
Floreados por modos peculiares.
Palavras asquerosas soltas no ar.
E observava a degradação por um prazer efusivo.
Iluminados por um globo de espelhos, que refletia raios de luz.
Um cheiro forte invadiu meus sentidos.
Cheiro de enxofre mesclado com suor.
Um gosto inevitável de fumaça.
Fiquei sem ar.
O suor escorria até meus pés.
Já estava cozinhando minha pele.
No meio daquela multidão eu tentava achar.
O que fosse digno de ser apreciado com bons olhos.
O que fosse possível ser tocado.
O que fosse verdade.
O que fosse puro.
Não havia.
Eu estava só na multidão.
Na minha mente acontecia algo.
Tive vontade de correr.
Tive descobertas.
Tive decepções.
Tive sensações.
Tive decisões.
Tive visões.
Tive horror.
Tive medo.
Tive raiva.
Tive nojo.
Eu não conseguia ver as minhas mãos.
Eu somente sentia palmilhar um chão grudento e úmido.
Alí no breu absoluto.
Onde tudo fora engolido pelas trevas.
N’onde ficarei?
N’onde chegarei?
N’onde descansarei?
N’onde minha mente pousará?
N’onde colocarei tantas descobertas?
E eu continuava a andar.
Um safári sem rumo.
Sem perspectiva.
Sem destino eu estava.
Decisões me rodeiam.
Mudanças ocorrerão.
Lágrimas aparecerão.
A dor será inevitável.
O senhor da razão me guiará.
O tempo.

Cláudio M.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Entender...



Não entendo.
Realmente não consigo.
Já tentei, mas...
Minha mente não alcança.
Não consigo entender a mentalidade de certas pessoas.
Não consigo entender como conseguem ser tão egoístas.
Não consigo entender como não compreendem certas coisas.
Ah! Como são injustas.
Uns se acham tudo.
Outros acabam por ser nada.
Eu me esforço.
Por mais que eu tente não consigo trazer comigo uma palavra de conforto.
Como não conseguem perceber o que é mais importante?
Estou farto do amor exclusivo aos interesses próprios.
O medo me assombra quando tentam obrigar-me a viver o que eles querem.
Cansei das injustiças.
Cansei de ver que alguns sejam coitadinhos e glorificados.
Cansei de ver outros desprezados.
Atrevimento.
Presunção.
Imodéstia.
Ousadia.
Vaidade.
Isso que me ensinam.
E eu descobri.
Na vida muitas vezes vivemos enganados.
Para recuperar o bem é necessário perceber como age o mal.
Conceitos me faltam.
Um pedaço perdido me falta.
Já estou vivendo sentimentos sem nome.
Tento fazer o certo, mas nem sempre dá certo.
Tento não errar, mas eu erro.
Tento ser superficial, mas não consigo.
Já fiz de tudo.
Já tentei.
Ainda tento, mas realmente não consigo entender certas pessoas.
E sei que nem tudo são alegrias.
Cláudio M.

domingo, 12 de setembro de 2010

Permaneça...


Eu tive vontade de morar lá.
Quis morar naquele corpo.
Encorpei-me na poesia que às vezes sou.
Palavras que vão e vem na minha mente.
Apeguei-me nesses olhos.
Lágrimas de emoção.
Abraços silenciosos.
Sinto as mãos entrelaçadas.
Com olhos fechados consigo sentir tudo novamente.
Na longa madrugada sob a luz de uma estrela.
Abraço o vento nas noites quando nossas almas estão distantes.
Tenho um palco para dançar com sua imagem que guardo.
A sua fala.
O seu jeito.
O seu sorriso.
Sustenta-me.
Equilibra-me.
Desenha-me novamente.
Delicio-me nos seus risos.
Memória desmedida.
Com princípio, mas sem fim.
Pareço criança que caminha entre flores e galáxias.
Sinto o cheiro do seu néctar.
Sorrio... sorrio de olhos fechados.
Sinto sua respiração próxima da minha.
Sua pele tornou-se poesia nos meus lábios.
Razão e emoção misturaram-se.
Bobo.
Encantado.
Alucinado com o caminho de passos juntos.
Banhado pela sua presença.
Inebriado por sentimentos.
E chamo.
E peço.
Agarre minhas mãos.
Beije meu sorriso.
Esses dias são de felicidade.
Dias de sorrisos largos.

Cláudio M.