
Foi necessário.
No portal um vento quente.
Uma longa escada sumia na escuridão.
Ar abafado.
Comecei a descer.
Dificuldades para respirar, eu tive.
A escuridão me abraçava.
Eu estava só.
Um barulho ensurdecedor que eu não identificava.
A cada degrau mais quente ficava.
Minha memória foi ligada.
Várias coisas começaram a fazer sentido.
Era o momento de eu consertar tudo.
No circuito elétrico da minha memória.
Fios desencapados.
Lâmpadas queimadas.
Interruptores quebrados.
Resistores abandonados.
Agora tudo começava a funcionar.
Minha mente já estava iluminada.
A luz do discernimento voltou a clarear.
Minha boca permanecia calada.
Meus olhos fixados na escuridão.
Comecei ouvir vozes.
Gargalhadas de luxúria.
Uma alegria satânica.
Superficial.
Mofada pelo tempo.
Minhas pernas continuavam a descer.
Ali meu corpo não estava só.
Rodeado por uma multidão sem identidade.
Floreados por modos peculiares.
Palavras asquerosas soltas no ar.
E observava a degradação por um prazer efusivo.
Iluminados por um globo de espelhos, que refletia raios de luz.
Um cheiro forte invadiu meus sentidos.
Cheiro de enxofre mesclado com suor.
Um gosto inevitável de fumaça.
Fiquei sem ar.
O suor escorria até meus pés.
Já estava cozinhando minha pele.
No meio daquela multidão eu tentava achar.
O que fosse digno de ser apreciado com bons olhos.
O que fosse possível ser tocado.
O que fosse verdade.
O que fosse puro.
Não havia.
Eu estava só na multidão.
Na minha mente acontecia algo.
Tive vontade de correr.
Tive descobertas.
Tive decepções.
Tive sensações.
Tive decisões.
Tive visões.
Tive horror.
Tive medo.
Tive raiva.
Tive nojo.
Eu não conseguia ver as minhas mãos.
Eu somente sentia palmilhar um chão grudento e úmido.
Alí no breu absoluto.
Onde tudo fora engolido pelas trevas.
N’onde ficarei?
N’onde chegarei?
N’onde descansarei?
N’onde minha mente pousará?
N’onde colocarei tantas descobertas?
E eu continuava a andar.
Um safári sem rumo.
Sem perspectiva.
Sem destino eu estava.
Decisões me rodeiam.
Mudanças ocorrerão.
Lágrimas aparecerão.
A dor será inevitável.
O senhor da razão me guiará.
O tempo.
No portal um vento quente.
Uma longa escada sumia na escuridão.
Ar abafado.
Comecei a descer.
Dificuldades para respirar, eu tive.
A escuridão me abraçava.
Eu estava só.
Um barulho ensurdecedor que eu não identificava.
A cada degrau mais quente ficava.
Minha memória foi ligada.
Várias coisas começaram a fazer sentido.
Era o momento de eu consertar tudo.
No circuito elétrico da minha memória.
Fios desencapados.
Lâmpadas queimadas.
Interruptores quebrados.
Resistores abandonados.
Agora tudo começava a funcionar.
Minha mente já estava iluminada.
A luz do discernimento voltou a clarear.
Minha boca permanecia calada.
Meus olhos fixados na escuridão.
Comecei ouvir vozes.
Gargalhadas de luxúria.
Uma alegria satânica.
Superficial.
Mofada pelo tempo.
Minhas pernas continuavam a descer.
Ali meu corpo não estava só.
Rodeado por uma multidão sem identidade.
Floreados por modos peculiares.
Palavras asquerosas soltas no ar.
E observava a degradação por um prazer efusivo.
Iluminados por um globo de espelhos, que refletia raios de luz.
Um cheiro forte invadiu meus sentidos.
Cheiro de enxofre mesclado com suor.
Um gosto inevitável de fumaça.
Fiquei sem ar.
O suor escorria até meus pés.
Já estava cozinhando minha pele.
No meio daquela multidão eu tentava achar.
O que fosse digno de ser apreciado com bons olhos.
O que fosse possível ser tocado.
O que fosse verdade.
O que fosse puro.
Não havia.
Eu estava só na multidão.
Na minha mente acontecia algo.
Tive vontade de correr.
Tive descobertas.
Tive decepções.
Tive sensações.
Tive decisões.
Tive visões.
Tive horror.
Tive medo.
Tive raiva.
Tive nojo.
Eu não conseguia ver as minhas mãos.
Eu somente sentia palmilhar um chão grudento e úmido.
Alí no breu absoluto.
Onde tudo fora engolido pelas trevas.
N’onde ficarei?
N’onde chegarei?
N’onde descansarei?
N’onde minha mente pousará?
N’onde colocarei tantas descobertas?
E eu continuava a andar.
Um safári sem rumo.
Sem perspectiva.
Sem destino eu estava.
Decisões me rodeiam.
Mudanças ocorrerão.
Lágrimas aparecerão.
A dor será inevitável.
O senhor da razão me guiará.
O tempo.
Cláudio M.

