sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Parte...

Éh!
Realmente não tenho essa idade.
Acho que a esse século não pertenço.
Muito menos a essas roupas que me tapam o corpo.
Assemelho-me a um objeto antigo.
Talvez o seja mesmo.
Uma coisa obsoleta.
Que se arrastou no tempo.
Tentando se adaptar à contemporaneidade.
Uma máquina à vapor.
Um talher esculpido em pedra.
Uma pena que escreve em papiro.
Vivo entre reis e príncipes.
No tempo em que as fadas existem.
E duendes perambulam por aí.
Sou do tempo dos alquimistas.
Das bruxas lançadas na fogueira.
Talvez sinta isso porque sinto demais.
Sofro demais.
Observo demais.
Parece que em nenhuma Era me encontro.
Nenhum pensamento me alcança.
Vejo-me descalço em noite fria.
Sem chão para palmilhar.
Sem mensagem para mandar.
Sem um pedaço de papel para rabiscar.
Avião sem onde pousar.
Destemidamente digo que uma criança sem colo.
Doce e amarga ingenuidade que me segue.
Vivo num estado complexo do meu existir.
De predicados eu preciso.
De mais predicados.
Sou curioso.
Insaciável.
A escrita me acalma.
Os pensamentos me devoram.
Atingem-me.
Preciso de significados.
Mesmo nesse mundo que nada faz sentido.
Entrego-me completamente à procura.
Por vezes revelo-me nas entrelinhas.
Nos amontoados de palavras consigo descanso.
Sinto-me um livro de capas grandes.
Cheios de desenhos.
Cobertos de cores.
Lido pelo Infinito.
Sou terráqueo.
Humano até demais.
E erro.
E erro novamente.
E caio.
E levanto.
E torno a cair e levantar e sinto.
Vivo de sentir.
Sinto-me assim.
Ofegante.
Meus olhos refletem fantasia no meu interior.
Ora aqui dentro chove.
Ora faz sol.
Há estados que ainda não decifrei.
São curiosidades que tenho.
Vivo em constantes mudanças.
Acho que não estou pronto.
Somos seres inacabados.
Procuramos por partes.
Por peças.
Cláudio M.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Uma vez mais...



Hoje será um dia marcante.
Jamais esquecerei meus pensamentos de hoje.
Os sentimentos que tenho ao dedilhar o teclado.
Nunca agi assim.
Nessa tarde nublada.
Os ventos sacodem as mangueiras do outro lado da rua.
As brisas balançam minhas cortinas.
E invade meu quarto.
Um ar aconchegante assopra minha pele.
O sinto como seu toque em mim.
Eu aqui dominado por uma sensação que jamais tive.
Meus olhos lacrimejam sem minha vontade.
Na minha cama sinto a sua presença.
Fecho os olhos e ... vejo entre meus braços.
Sinto o seu cheiro.
Ouço a sua voz.
O meu interior anseia por ter-te mais uma vez.
Quero você.
Já não consigo viver solto de ti.
Simples atos tornaram-se duplos para mim.
Almoçar.
Pensar.
Dormir.
Antes de comer algo penso se já comeste também.
Antes de pensar em fazer algo já me lembro da sua face e no que estás a fazer.
Antes de descansar as pálpebras velo seu sono, mesmo que alguns quilômetros nos distanciam.
Às vezes penso que não me cabem tantos sentimentos.
Ah, como me é divertido rir dos seus risos largos.
Ah, como me é delicioso beijar os seus lábios.
Ah, como me é perfeito olhar os seus olhos.
Ah, como me é bom acariciar seus cabelos.
Abrigar meu corpo no seu.
Como a luva abriga a mão.
Acho que tenho em mim a loucura dos que amam.
Dessa loucura mais sã que meu coração experimentou quero embriagar-me.
Embebedar-me com seus beijos.
Inebriar-me com seus abraços.
Ah, se alguém me visse agora.
Não entenderia o que se passa.
Louco seria meu nome.
Uma mescla de tristeza e felicidade.
Indefinível.
Inexplicável.
No pouco tempo que se passou.
Não pude controlar a intensidade que tudo tomou.
Aqui dentro você é parte de mim.
A sua ausência me deixa com saudades.
Saudades da sua parte em mim.
Saudades de você.
Saudades de mim.
Desesperada é a minha respiração quando te encontra.
Úmidas ficam as minhas mãos quando te alcançam.
Indescritível o que sinto.
Há meses que nossos lábios se encontraram.
Meus olhos já te procuravam incessantemente.
Aqui nesta Terra eu já te imaginava.
Desenhava-te nos meus sonhos.
Via-te antes de te conhecer.
Agora tenho vontade de ter-te nos meus braços.
Mais uma vez.
Cláudio M.