segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Funesto...


Noite mal dormida.
Um dia cinza.
Ansiedade ofegante.
Dores de saudades.
Meu coração pulsava esperança.
Meus pulmões aspiravam uma mudança.
Diante do mar a minha reflexão.
No fim da tarde.
Logo as trevas tomariam o lugar do Sol.
Perguntas vinham com as ondas.
Respostas vazias voltavam para o mar.
E eu olhava para o mar sem fim.
A intersecção de céus e terra.
Garças voavam ao meu redor.
A companhia de seres tão inobservados.
E me rodeavam.
E grasnavam.
E pousavam.
E alçavam vôo.
Eu como uma estátua.
Figura em vulto.
Modelado.
Esculpido.
Fundido naquela paisagem enegrecida.
E lembrava de pessoas que passaram pela minha vida.
Pegadas de boas lembranças, outras, rastros de dor.
Fui afogado sem misericórdia.
Iludido por vãs palavras.
Trocado pelo bel prazer da luxúria.
Meus braços estavam esticados.
Eu queria uma explicação
Uma chance.
Meus olhos clamavam.
Minha boca lacrada pelo silêncio.
E meu olhar se distanciava.
Fui submerso pelas lágrimas.
A mais forte dor matou um sentimento.
Dentro de mim uma nuvem póstuma.
Pelo ralo escorreu um coração de cera.
Por que sou assim?
Por que perdi a fome?
Por que sou tão profundo?
Por que essa dor me incomoda?
Por que sou vítima dos desalmados?
Por que valorizar as coisas tão pequenas?
Por que a angústia me fez afogar em lágrimas?
E dentro de mim.
Eu tinha vontade da verdade.
Almejava o desinteresse nas relações.
Minha memória ardia naquilo que é vão para alguns.
Sei bem o valor do verossímil.
Sou grato à verdadeira companhia.
E as garças velavam a minha carcaça.
Minh’alma estava longe dali.
Foi buscar refúgio na fonte infindável.
Sedenta foi ao encontro do Infinito.
Sozinho.
Ali eu estava.
Cláudio M.

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