domingo, 23 de agosto de 2009

Paixão...

Terrivelmente fui vítima dela.
Isso me consome cada vez que deito.
Lembro-me da imagem não tocada.
Do desejo não realizado.
Da vontade acumulada.
Da lembrança que sufoca.
Queria tanto dizer...
Mas as minhas palavras foram caladas pela covardia.
Aih como sofro!
Sinto-me a panela de pressão empanzinada de feijão.
A autoclave na sua máxima potência.
Minha face queima quando lembro.
Só me restam palavras escondidas no coração.
Gosto tanto de você.
Quero seu abraço.
Desejo o seu beijo.
Almejo seu carinho.
Mas vejo que não posso dizer nada.
Não posso gostar.
Não posso querer.
Não posso, simplesmente.
Somos como o Sol e a Lua.
Nunca se encontram.
E pensar que um dia foram unidos, num só resplendor.
Hoje separados pela distância.
Mas sempre a lua é iluminada pelo Sol.
Sou eu a lua.
O Sol sempre continuará com seu resplendor.
Eu sempre dependente da luminescência.
Não se ama sozinho.
Ninguém sabe, mas amo.
A lua mesmo sem o fulgor do Sol continua sendo ela mesma.
Na sua escuridão fria e solitária.
Mesmo insignificante e pequena ela tem a sua função.
Esperar receber luz para clarear as trevas e tornar noites mais românticas.
Ela vive de recordações... o dia em que saiu do Sol, o amor.
Amo a vida, boas gargalhadas, pessoas e situações.
Minha alma grita por sede.
Mas não é qualquer água que quero.
Preciso DA água.
Acho que acordei apaixonado hoje.

Cláudio M

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Anjo meu...


Uma ventania de longe sobreveio.
Medo e insegurança eu sentia.
Sacudiram minhas estruturas.
Meus muros caíram.
Desprotegido fiquei.
Minhas bases tremuladas.
Abraçado aos meus joelhos.
Suspirava lamuriosamente.
Titubeante minh’alma sentia-se.
Amolecido estava meu coração.
Dias dissaborosos eu passei.
Meus sentimentos choravam.
Desesperançado.
Desacreditado.
Lacrimejante.
Esquecido.
Seqüelado.
Frustrado.
Cansado.
Dolorido.
Largado.
Ferido.
Só.
Preso numa memória de dor.
De descontentamento.
De indiferença.
De abandono.
De descaso.
Querubim.
Vieste ao meu encontro.
Surgiste para mim de uma forma inesperada.
Seu olhar brilhou naquele momento.
Não consegui parar de ver seus olhos.
Sonhava com teu abraço.
Devaneava com teus lábios.
Meu coração acalentava-se na sua imagem.
Enrubescida minha face estava.
Nos meus pensamentos te chamei.
Pousaste nos meus pés como uma estrela cadente.
Brilhaste de forma contagiante.
Açacalava o meu fulgor.
Senti suas mãos amorosas passando pelo meu peito.
Pelos meus cabelos.
Aninhar-me no seu peito me aprazia.
Em ti eu senti toda a ternura do mundo.
Um representante das estrelas.
Um belo arcanjo me encontrou.
Possuíste um leque imenso de soluções para os meus desejos.
Arrancaste o meu medo.
Atingiste-me como um raio de Sol.
Queimou-me na minha noite escura.
Você é tudo que eu preciso.
Viciaste-me na tua face.
Jurei-me que não cairia de novo.
Agora rendido estou.
Sua lembrança me faz sonhar.
A sua ternura me encanta.
Seu perfume me alimenta.
Sua presença me fascina.
Você me faz escrever.
Quebrando todas as regras que eu tinha você está.
Risco que agora corro.
Anjo meu.
Quero-te.


Cláudio M.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Vontade...

Uma intenção fugitiva.

Acordei assim hoje.

Fantasia não realizada.

Utopia almejada.

Delírio.

Um desejo voraz.

Quero sair daqui.

Preciso ir embora.

Pra onde?

Qualquer lugar.

Ir morar com um Óvni.

Habitar uma ilha deserta.

Esconder-me no alto da montanha.

Dormir por uns dias.

Fechar os olhos e acordar no próximo século.

Subir nos lombos da águia e desaparecer com ela nos céus.

Aliás, eu sei.

Quero deleitar-me no mundo dos meus sonhos.

Não mais chorarei.

Não mais sofrerei.

Não mais serei traído.

Não mais verei a morte.

Não mais verei a guerra.

Não mais sofrerei por amor.

Não mais serei apunhalado.

Não mais precisarei de alimento.

Não mais serei tratado com frieza.

Não mais verei os que passam frio.

Não mais calarei minha indignação.

Não mais verei o gemido da natureza.

Não mais verei a injustiça dos homens.

Não mais precisarei esconder o que sei.

Não mais precisarei chafurdar na lama.

Não mais verei os necessitados de ajuda.

Não mais terei lembranças desse mundo.

Não mais precisarei lidar com os invejosos.

Não mais precisarei conviver com os falsos.

Não mais precisarei adaptar-me à imundícia.

Não mais precisarei deixar de ser eu mesmo.

Não mais precisarei compartilhar com o errado.

Não mais serei confundido com o que não é digno.

Não mais serei condenado pela minha ingenuidade.

Não mais verei olhos famintos que me partem o coração.

Não mais sofrerei as decepções que esse mundinho me trás.

Não mais precisarei do dinheiro que é imundo e destrói as pessoas.

Não mais perderei meu sono preocupado com as confusões que me envolveram.

Preciso da paz que esse mundo até hoje não me ofereceu e nem oferecerá.

Dói ser profundo no meio dos superficiais.

Dói amar e não ser amado.

Dói não ser correspondido.

Dói ser comparado.

Dói ser sentimental.

Dói gostar demais.

Dói não ter valor.

Feridas sempre são abertas.

Seqüela.

Calo.

Dor.

Cicatrizes inoportunas.

E eu?

Preciso colocar pra fora o que sinto de verdade.

Preciso de profundidade.

Cansei de lidar com egoístas.

Cansei de conviver com gente efusiva.

Preciso de sentimentos verdadeiros.

Cobiço solidez.

Preciso esquecer tudo.

Não quero lembrar-me de nada.

Não quero ouvir mais nada.

Não quero mais.

Aqui não me cabe.

Isso não me pertence.

Almejo morar na quarta dimensão.

Quero ser seqüestrado pelo infinito.

Roubado desse mundo.

Não quero resgate.

Nem lamentos pela minha partida.

Estarei muito melhor.

Quero ser engolido pelo Verbo.

Lá não haverá noite.

O amor será minha luz.

Lá toda lágrima se enxugará.

Não haverá morte.

Nem choro.

A cidade é de ouro.

O muro construído de jaspe.

Os adornos de safira, esmeralda e rubis.

Não precisarei da minha pobre riqueza terrena.

Subirei em montanhas de diamantes.

Nadarei no rio da eternidade.

Mergulharei em águas profundas.

Gozarei os sentimentos que me foram dados.

Comerei da fruta que dá a vida eterna.

Não terei mais sono.

Minhas forças serão renovadas como as da águia.

Entrego-me.

Desfaço-me.

Renuncio-me.

A eternidade, eu quero.

Cláudio Macedo.

terça-feira, 26 de maio de 2009

Quero Sorvete...

Eu quero doce!
Acordei com essa frase depois da sesta.
Calor infernal naquela tarde.
O ventilador soprava como um secador de cabelo.
Meu quarto um forno.
Eu era a refeição.
Guisado de Cláudio.
Fugi do forno e só encontrei meu oásis predileto: A geladeira.
Cenoura, vagem, couve-flor, brócolis...
Soda limonada, suco de uva, iogurte...
Ovos, molho sakura...
Nada que me interessasse.
No freezer...
Há dias sem degelar... era glacial diante de mim.
Um tanto de carne, o próprio frigorífico.
Lá no fundo vi uma vasilha branca.
Meus olhos brilharam...
É sorvete!
Tirei cada pacote de lá.
O pote branco enterrado no gelo, Aff.
Espátula nessas horas é minha amiga.
Quebrei-a na peleja e o meu alvo ainda imóvel.
Tapas, murros... e nada.
Eu já havia suado todos os meus líquidos na peleja.
Quase degelei o freezer... mas ia demorar muito.
Uma crise de Parkinson minha desenterrou o vasilhame da geleira.
Risos de realização =D
Pela sombra vi uma massa NEGRA lá dentro.
Sonho de Bombom da Crememel... uih!
Já quero!
Quem disse que consegui tirar a tampa?
Meus dedos congelaram de tanto batalhar...
Ôh dispêndio!
Uma pedra inamovível...
Faltei jogar no chão e sapatear em cima.
Inspirei-me no coração de alguns que conheci.
Mereciam ser pisoteados, mas... deixa pra lá.
O suor descia.
Vontade louca por um sorvete.
Instantes depois... o microondas.
Nada que ele não faça por mim.
Ansioso para que 30 segundos passassem...
Nisso minha tacinha e minha colherzinha companheiras já estavam a postos.
Abri o forno.
Abri a tampa...
=O
Era uma feijoada.
Suei a testa de raiva.
Mordi a boca de ódio.
Gemi de fúria.
Situação dispendióóósa!
Frustração dos infernos.
Quase 20 minutos de perca de tempo.
Meu paladar já não queria mais doce.
Era um momento de profunda amargura.
Fui desabafar com o meu travesseiro.

Cláudio M.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Cansaço...



Uma campina.
Um deserto.
Uma flor.
Uma esperança.
À espera de uma borboleta.
Apenas uma.
Aquela que fará o papel polinizador, somente.
Raras são essas.
Que poderá trazer alegria à posteridade da flor.
Há borboletas que pousam para botar ovos.
Comuns são essas.
Larvas que nascem.
Larvas que crescem.
Larvas que consomem as folhas.
Larvas que sugam energias.
Larvas que se tornam outras borboletas.
Sou eu a flor.
Acabo sendo parte de um ciclo.
Um instrumento.
Um cabide de borboletas.
Nenhuma que possui peças bucais adaptadas para a sucção do meu néctar.
Nenhuma preparada para satisfazer as minhas necessidades.
Nenhuma capaz de fazer seu papel polinizador.
Nenhuma compatível.
Cansei.
Cansei dos besouros que comem minhas folhas sem remorso.
Cansei das formigas que ousam roubar meu néctar sem escrúpulos.
Cansei das aves de rapina que comem meus restos.
Cansei daquelas flores que crescem almejando minha queda.
Cansei daqueles vegetais que liberam toxinas no solo para aniquilar minhas raízes.
Cansei dos batráquios.
Aqueles que do meu lado devoram as inocentes borboletas antes mesmo de pousar.
Outros que as consomem quando pousam.
Perdi parte das minhas pétalas.
Já tive o caule ferido.
Raízes futricadas.
Folhas arrancadas por despeito.
Pés que pisaram sem misericórdia.
Tempestades que me deixaram sem nada.
Ventos que retorceram meu caule.
Venenos misturados com a água da confiança.
Adubo vencido já foi meu alimento.
Água da fossa já aplacou minha sede.
Passei sede.
Várias vezes eu tive que abrir mão das minhas folhas.
Das minhas pétalas.
Do meu orgulho.
Das minhas vontades.
Para enfrentar as secas.
A impiedosa aridez que me sobrevém.
A flor continua só.
Largada no chão trincado.
Ainda existe seiva.
Raízes profundas buscam alimento no Infinito.
Sobrevivi.
Continuarei a sobreviver.
Mas cansei.
Estou cansado.
Cansei de cansar de estar cansado estando cansadíssimo.
Cláudio M.

domingo, 24 de maio de 2009

Esperança...

És alva manhã.
Sol e bonança no mar.
Não há ventos….
Uma calmaria sem nuvens.
Mais um dia de labor para aquele pescador.
E levanta da cama o homem.
A mulher já na cozinha com o café na mesa.
Dia longo para cuidar da casa enquanto ele no mar.
E ela vai com ele até o porto.
Calorosa despedida.
Juras de amor.
Com um lenço despede-se do marido.
Pouco a pouco se afasta da costa na sua frágil embarcação.
A mulher coloca o lenço na cabeça e vai para a labuta.
Na memória a imagem do marido.
A cada feito uma lembrança.
O amor era o combustível daquela mulher.
As horas passam e ela vai para a praia.
Lá num sol tranqüilo do poente ela espera por ele.
Cái a noite.
Ele não apareceu.
A mulher continua na praia a sua espera.
De pé.
Inamovível.
À espera do seu combustível.
O seu amor não voltava do mar.
Esperançosa.
Angustiada.
Solitária.
Inquieta.
Lágrimas começavam brotar nos olhos.
E chorava.
E esperava.
O cansaço desaparecera.
Noite longa regada pelo pranto.
Lembranças a estimulavam estar ali à espera.
Amor, paixão, loucura existiam naquele coração.
Olhos fitados no horizonte negro.
O mar revolto.
O barulho das ondas falava com a mulher.
Trazia a notícia do nunca mais.
Nuncamais, Nuncamais, Nuncamais.
E chorava.
E esperava.
Em silêncio a alma se rasgava.
Um gélido dissabor remexia nas entranhas.
O coração ameaçava repousar.
Uma parte daquele coração foi habitado pelas trevas.
Gemidos de dor.
Murmúrios de uma alma dilacerada pela ausência.
E chorava.
E esperava.
E acreditava que ele viria como em todas as tardes.
Banhada de lágrimas.
Ela é regada pelo orvalho.
E tornou-se uma espera eterna.
Com um lenço nas mãos e olhos na infinita escuridão.
De pé.
Ela morria por dentro.
A morte roubava sua vida aos poucos.
A cada som das ondas uma parte de vida lhe era tirada
E fazia o velório de si mesma.
Esperava o seu amor...
Perdido no mar da vida.
Lembranças ficaram.
De bons momentos encurtados.
Eu ali... imóvel de medo e espanto.
Lembrei-me do meu amor.
Daquilo que vivi.
Daquilo que me arrebatou.
Vi-me naquela mulher.
Fui trocado pelo mar.
Minh’alma não me deixou só.
O Infinito me consolava.
Ela desconsolada e só.
Eu esperando o novo encontro.
Ela salgada pelas lágrimas.
Eu com o coração derretido.
Ela endurecida pela esperança.
Eu nos braços do Infinito.
Ela petrificada pelo tempo.
Ali... uma mulher.
Uma estátua de sal.
Cláudio M.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Vale a pena amar?



Uma manhã reflexiva mais uma vez... rsrsrs
Sabe que alguns causam felicidade onde quer que eles vão, conseguem irradiar o bem estar, porém, outros sempre que se vão deixam a felicidade e a paz reinar.
Assim também consigo vislumbrar quão leviano são certos lugares repletos pela efusividade dos néscios.
Estafa, repugnância, aflição e angústia é o que nos fazem sentir os desatinados pelas delícias do Olimpo.
O que fazer? Como reagir?
Fomos abalroados por um dilúvio de asneiras que aborrecem nossos ouvidos. E digo: A verdade não pode sair do falso, não mesmo! A cada dia percebo mais isso.
Oh céus! Como tentam perverter nosso discernimento. Ignoram a nossa esperteza. Acabamos vitimados pelo gracejo dos palermas.
Oh quanta superficialidade!
Sinto-me num Baile de Máscaras onde não sei quem é quem e, quando alguém se apresenta não sei quem está por trás daquele disfarce. A única solidez que temos certeza é daquela humilde e insignificante máscara que insiste em nos ludibriar.
O que resta fazer aqueles que possuem profundidade e infelizmente só encontram águas rasas? Onde mergulhar?
Gritamos no meio da multidão e o som volta como se fosse num lugar vazio. Palavras e sentimentos não conseguem sensibilizar aqueles gélidos pela morbidez carnal.
Precisamos de águas profundas onde encontrá-las? Precisamos de sentimentos verdadeiros, onde repousar nosso coração cansado?
Trancar o dedo numa porta dói. Bater com o queixo no chão dói. Torcer o tornozelo dói. Um tapa, um soco, um pontapé, doem. Dói bater a cabeça na quina da mesa, dói morder a língua, dói cólica, cárie também dói.
Mas o que mais dói é a saudade. Mas a saudade mais dolorida é a saudade de nós mesmos. Saudades do tempo em que conhecíamos nossos sentimentos, do tempo em que sabíamos o motivo pelo qual chorávamos ou sorríamos.
Hoje os murmúrios da alma são sufocados pelo descaso dos egoístas. Nesse meio de superficialidades em que vivemos resta-nos ocultar o que nos resta de profundo. E no fato de esconder os nossos valores vivemos num inverno absoluto e, não há outro inverno além da solidão.
Algumas pessoas nascem para amar e outras nascem para viverem sozinhas e amar apenas o mundo. Não é à toa que dizem que a solidão é o fim dos que amam.
Agora respondo: Vale a pena amar.
Cláudio M.