És alva manhã.Sol e bonança no mar.
Não há ventos….
Uma calmaria sem nuvens.
Mais um dia de labor para aquele pescador.
E levanta da cama o homem.
A mulher já na cozinha com o café na mesa.
Dia longo para cuidar da casa enquanto ele no mar.
E ela vai com ele até o porto.
Calorosa despedida.
Juras de amor.
Com um lenço despede-se do marido.
Pouco a pouco se afasta da costa na sua frágil embarcação.
A mulher coloca o lenço na cabeça e vai para a labuta.
Na memória a imagem do marido.
A cada feito uma lembrança.
O amor era o combustível daquela mulher.
As horas passam e ela vai para a praia.
Lá num sol tranqüilo do poente ela espera por ele.
Cái a noite.
Ele não apareceu.
A mulher continua na praia a sua espera.
De pé.
Inamovível.
À espera do seu combustível.
O seu amor não voltava do mar.
Esperançosa.
Angustiada.
Solitária.
Inquieta.
Lágrimas começavam brotar nos olhos.
E chorava.
E esperava.
O cansaço desaparecera.
Noite longa regada pelo pranto.
Lembranças a estimulavam estar ali à espera.
Amor, paixão, loucura existiam naquele coração.
Olhos fitados no horizonte negro.
O mar revolto.
O barulho das ondas falava com a mulher.
Trazia a notícia do nunca mais.
Nuncamais, Nuncamais, Nuncamais.
E chorava.
E esperava.
Em silêncio a alma se rasgava.
Um gélido dissabor remexia nas entranhas.
O coração ameaçava repousar.
Uma parte daquele coração foi habitado pelas trevas.
Gemidos de dor.
Murmúrios de uma alma dilacerada pela ausência.
E chorava.
E esperava.
E acreditava que ele viria como em todas as tardes.
Banhada de lágrimas.
Ela é regada pelo orvalho.
E tornou-se uma espera eterna.
Com um lenço nas mãos e olhos na infinita escuridão.
De pé.
Ela morria por dentro.
A morte roubava sua vida aos poucos.
A cada som das ondas uma parte de vida lhe era tirada
E fazia o velório de si mesma.
Esperava o seu amor...
Perdido no mar da vida.
Lembranças ficaram.
De bons momentos encurtados.
Eu ali... imóvel de medo e espanto.
Lembrei-me do meu amor.
Daquilo que vivi.
Daquilo que me arrebatou.
Vi-me naquela mulher.
Fui trocado pelo mar.
Minh’alma não me deixou só.
O Infinito me consolava.
Ela desconsolada e só.
Eu esperando o novo encontro.
Ela salgada pelas lágrimas.
Eu com o coração derretido.
Ela endurecida pela esperança.
Eu nos braços do Infinito.
Ela petrificada pelo tempo.
Ali... uma mulher.
Uma estátua de sal.
Cláudio M.
Nenhum comentário:
Postar um comentário