terça-feira, 26 de maio de 2009

Quero Sorvete...

Eu quero doce!
Acordei com essa frase depois da sesta.
Calor infernal naquela tarde.
O ventilador soprava como um secador de cabelo.
Meu quarto um forno.
Eu era a refeição.
Guisado de Cláudio.
Fugi do forno e só encontrei meu oásis predileto: A geladeira.
Cenoura, vagem, couve-flor, brócolis...
Soda limonada, suco de uva, iogurte...
Ovos, molho sakura...
Nada que me interessasse.
No freezer...
Há dias sem degelar... era glacial diante de mim.
Um tanto de carne, o próprio frigorífico.
Lá no fundo vi uma vasilha branca.
Meus olhos brilharam...
É sorvete!
Tirei cada pacote de lá.
O pote branco enterrado no gelo, Aff.
Espátula nessas horas é minha amiga.
Quebrei-a na peleja e o meu alvo ainda imóvel.
Tapas, murros... e nada.
Eu já havia suado todos os meus líquidos na peleja.
Quase degelei o freezer... mas ia demorar muito.
Uma crise de Parkinson minha desenterrou o vasilhame da geleira.
Risos de realização =D
Pela sombra vi uma massa NEGRA lá dentro.
Sonho de Bombom da Crememel... uih!
Já quero!
Quem disse que consegui tirar a tampa?
Meus dedos congelaram de tanto batalhar...
Ôh dispêndio!
Uma pedra inamovível...
Faltei jogar no chão e sapatear em cima.
Inspirei-me no coração de alguns que conheci.
Mereciam ser pisoteados, mas... deixa pra lá.
O suor descia.
Vontade louca por um sorvete.
Instantes depois... o microondas.
Nada que ele não faça por mim.
Ansioso para que 30 segundos passassem...
Nisso minha tacinha e minha colherzinha companheiras já estavam a postos.
Abri o forno.
Abri a tampa...
=O
Era uma feijoada.
Suei a testa de raiva.
Mordi a boca de ódio.
Gemi de fúria.
Situação dispendióóósa!
Frustração dos infernos.
Quase 20 minutos de perca de tempo.
Meu paladar já não queria mais doce.
Era um momento de profunda amargura.
Fui desabafar com o meu travesseiro.

Cláudio M.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Cansaço...



Uma campina.
Um deserto.
Uma flor.
Uma esperança.
À espera de uma borboleta.
Apenas uma.
Aquela que fará o papel polinizador, somente.
Raras são essas.
Que poderá trazer alegria à posteridade da flor.
Há borboletas que pousam para botar ovos.
Comuns são essas.
Larvas que nascem.
Larvas que crescem.
Larvas que consomem as folhas.
Larvas que sugam energias.
Larvas que se tornam outras borboletas.
Sou eu a flor.
Acabo sendo parte de um ciclo.
Um instrumento.
Um cabide de borboletas.
Nenhuma que possui peças bucais adaptadas para a sucção do meu néctar.
Nenhuma preparada para satisfazer as minhas necessidades.
Nenhuma capaz de fazer seu papel polinizador.
Nenhuma compatível.
Cansei.
Cansei dos besouros que comem minhas folhas sem remorso.
Cansei das formigas que ousam roubar meu néctar sem escrúpulos.
Cansei das aves de rapina que comem meus restos.
Cansei daquelas flores que crescem almejando minha queda.
Cansei daqueles vegetais que liberam toxinas no solo para aniquilar minhas raízes.
Cansei dos batráquios.
Aqueles que do meu lado devoram as inocentes borboletas antes mesmo de pousar.
Outros que as consomem quando pousam.
Perdi parte das minhas pétalas.
Já tive o caule ferido.
Raízes futricadas.
Folhas arrancadas por despeito.
Pés que pisaram sem misericórdia.
Tempestades que me deixaram sem nada.
Ventos que retorceram meu caule.
Venenos misturados com a água da confiança.
Adubo vencido já foi meu alimento.
Água da fossa já aplacou minha sede.
Passei sede.
Várias vezes eu tive que abrir mão das minhas folhas.
Das minhas pétalas.
Do meu orgulho.
Das minhas vontades.
Para enfrentar as secas.
A impiedosa aridez que me sobrevém.
A flor continua só.
Largada no chão trincado.
Ainda existe seiva.
Raízes profundas buscam alimento no Infinito.
Sobrevivi.
Continuarei a sobreviver.
Mas cansei.
Estou cansado.
Cansei de cansar de estar cansado estando cansadíssimo.
Cláudio M.

domingo, 24 de maio de 2009

Esperança...

És alva manhã.
Sol e bonança no mar.
Não há ventos….
Uma calmaria sem nuvens.
Mais um dia de labor para aquele pescador.
E levanta da cama o homem.
A mulher já na cozinha com o café na mesa.
Dia longo para cuidar da casa enquanto ele no mar.
E ela vai com ele até o porto.
Calorosa despedida.
Juras de amor.
Com um lenço despede-se do marido.
Pouco a pouco se afasta da costa na sua frágil embarcação.
A mulher coloca o lenço na cabeça e vai para a labuta.
Na memória a imagem do marido.
A cada feito uma lembrança.
O amor era o combustível daquela mulher.
As horas passam e ela vai para a praia.
Lá num sol tranqüilo do poente ela espera por ele.
Cái a noite.
Ele não apareceu.
A mulher continua na praia a sua espera.
De pé.
Inamovível.
À espera do seu combustível.
O seu amor não voltava do mar.
Esperançosa.
Angustiada.
Solitária.
Inquieta.
Lágrimas começavam brotar nos olhos.
E chorava.
E esperava.
O cansaço desaparecera.
Noite longa regada pelo pranto.
Lembranças a estimulavam estar ali à espera.
Amor, paixão, loucura existiam naquele coração.
Olhos fitados no horizonte negro.
O mar revolto.
O barulho das ondas falava com a mulher.
Trazia a notícia do nunca mais.
Nuncamais, Nuncamais, Nuncamais.
E chorava.
E esperava.
Em silêncio a alma se rasgava.
Um gélido dissabor remexia nas entranhas.
O coração ameaçava repousar.
Uma parte daquele coração foi habitado pelas trevas.
Gemidos de dor.
Murmúrios de uma alma dilacerada pela ausência.
E chorava.
E esperava.
E acreditava que ele viria como em todas as tardes.
Banhada de lágrimas.
Ela é regada pelo orvalho.
E tornou-se uma espera eterna.
Com um lenço nas mãos e olhos na infinita escuridão.
De pé.
Ela morria por dentro.
A morte roubava sua vida aos poucos.
A cada som das ondas uma parte de vida lhe era tirada
E fazia o velório de si mesma.
Esperava o seu amor...
Perdido no mar da vida.
Lembranças ficaram.
De bons momentos encurtados.
Eu ali... imóvel de medo e espanto.
Lembrei-me do meu amor.
Daquilo que vivi.
Daquilo que me arrebatou.
Vi-me naquela mulher.
Fui trocado pelo mar.
Minh’alma não me deixou só.
O Infinito me consolava.
Ela desconsolada e só.
Eu esperando o novo encontro.
Ela salgada pelas lágrimas.
Eu com o coração derretido.
Ela endurecida pela esperança.
Eu nos braços do Infinito.
Ela petrificada pelo tempo.
Ali... uma mulher.
Uma estátua de sal.
Cláudio M.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Vale a pena amar?



Uma manhã reflexiva mais uma vez... rsrsrs
Sabe que alguns causam felicidade onde quer que eles vão, conseguem irradiar o bem estar, porém, outros sempre que se vão deixam a felicidade e a paz reinar.
Assim também consigo vislumbrar quão leviano são certos lugares repletos pela efusividade dos néscios.
Estafa, repugnância, aflição e angústia é o que nos fazem sentir os desatinados pelas delícias do Olimpo.
O que fazer? Como reagir?
Fomos abalroados por um dilúvio de asneiras que aborrecem nossos ouvidos. E digo: A verdade não pode sair do falso, não mesmo! A cada dia percebo mais isso.
Oh céus! Como tentam perverter nosso discernimento. Ignoram a nossa esperteza. Acabamos vitimados pelo gracejo dos palermas.
Oh quanta superficialidade!
Sinto-me num Baile de Máscaras onde não sei quem é quem e, quando alguém se apresenta não sei quem está por trás daquele disfarce. A única solidez que temos certeza é daquela humilde e insignificante máscara que insiste em nos ludibriar.
O que resta fazer aqueles que possuem profundidade e infelizmente só encontram águas rasas? Onde mergulhar?
Gritamos no meio da multidão e o som volta como se fosse num lugar vazio. Palavras e sentimentos não conseguem sensibilizar aqueles gélidos pela morbidez carnal.
Precisamos de águas profundas onde encontrá-las? Precisamos de sentimentos verdadeiros, onde repousar nosso coração cansado?
Trancar o dedo numa porta dói. Bater com o queixo no chão dói. Torcer o tornozelo dói. Um tapa, um soco, um pontapé, doem. Dói bater a cabeça na quina da mesa, dói morder a língua, dói cólica, cárie também dói.
Mas o que mais dói é a saudade. Mas a saudade mais dolorida é a saudade de nós mesmos. Saudades do tempo em que conhecíamos nossos sentimentos, do tempo em que sabíamos o motivo pelo qual chorávamos ou sorríamos.
Hoje os murmúrios da alma são sufocados pelo descaso dos egoístas. Nesse meio de superficialidades em que vivemos resta-nos ocultar o que nos resta de profundo. E no fato de esconder os nossos valores vivemos num inverno absoluto e, não há outro inverno além da solidão.
Algumas pessoas nascem para amar e outras nascem para viverem sozinhas e amar apenas o mundo. Não é à toa que dizem que a solidão é o fim dos que amam.
Agora respondo: Vale a pena amar.
Cláudio M.