terça-feira, 3 de maio de 2011

No cesto...


Moles.
Fétidas.
Pútridas.
Bolorentas.
Contagiantes.
São frutas jovens.
Uma dúvida.
Uma incógnita.
Algo que não quer calar.
Algo que tira meu sossego.
Algo que grita nas minhas entranhas.
O que fazer com o que apodreceu?
Jogar no lixo?
Ignorar a existência?
Lançar no esquecimento?
Fingir estar podre também?
Só restam perguntas.
A situação é crítica.
Mergulhar no cloro?
Banhar-me no anticéptico?
Lavar-me com água sanitária?
Embeber meus miolos com álcool?
Risos de sarcasmo.
Cachinada de ironia.
Gargalhadas de tristeza.
Casquinada de insatisfação.
Gracejo dos palermas é o que vejo.
E as frutas continuam a apodrecer no cesto.
Aqui estou eu.
Situações me trouxeram para cá.
Desgosto por estar nesse cesto.
Meus olhos não conseguem mais ver o que ainda está maduro.
Acredito que tudo apodreceu e agora não restam frutas maduras.
Clamei por misericórdia ao Infinito.
Espero por uma doce e suave mão que me arranque do cesto.
Preciso ser roubado.
Seqüestrado desse cesto.
Já quase estou sendo confundido com o que está podre.
Angústia e insatisfação me acompanham.
É duro quando me vejo nesse meio em decomposição.
E continuam apodrecer ao meu lado.
Os gases do apodrecimento tentam me sufocar.
O bolor de fungos inconvenientes tenta me invadir.
Líquidos lotados de microorganismos malignos derramam-se sobre mim.
Um godó encardido com um cheiro que atraem as aves de rapina escorre sem parar.
Minha visão corre o risco de embaçar e não mais conseguirei me proteger daquilo que já fede.
Preciso sair.
Preciso de refúgio.
Preciso me esconder.
Meu desejo de sair é tão grande que pernas começam a crescer.
A maçã madura, com pernas, sou eu.
Uma luz me chama no horizonte.
Meus novos membros movimentam-se como um flagelo.
Já me distancio daquilo que estava a me contaminar.
Já estou na borda do cesto.
Agora resta o pulo decisivo.
Au revoir!

Cláudio M.

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