domingo, 29 de maio de 2011

O Fogo...



E a noite vem.
Trevas ressurgem.
Uma luzinha acende-se.
Luz advinda do fogo.
O elemento da renovação.
Com leves movimentos.
Fazia a dança das moléculas de ar.
À procura de mais oxigênio, seu combustível.
Luz e calor unidos.
Luminescia contagiantemente.
Um farol.
Uma guia.
Uma vela acesa.
Ali agora o ponto de intersecção dos perdidos na escuridão.
Insetos.
Animais.
Pessoas.
Sentimentos.
Todos ali se aproximam à procura de repouso.
Refúgio.
Segurança.
Esconderijo.
Raros os que se preocupam com o tempo.
A vela liquefaz-se lentamente.
Logo a cera derrete e as trevas tomarão conta.
Dois destinos à vista.
Iluminará eternamente se receber o devido cuidado.
Se for alimentada.
Se for cultivada.
Atravessará a quarta dimensão.
Conhecerá o Infinito face a face.
Logo ver-se-á o outro destino.
Apagar-se-á quando toda a cera derreter-se.
Ninguém para a manutenção.
Escuridão súbita.
Não haverá resquício de fogo.
Nenhuma faísca.
Perdidos na escuridão estão.
A seqüela eterna.
A humanidade ganhou uma caixinha de cera que carrega algo nobre.
Seu poder une insetos, animais e pessoas.
Falo do coração que carrega o amor, o fogo.
Este está aceso.
A cada segundo uma parte da caixinha é derretida.
Seu conteúdo começa aparecer.
É algo vivente.
Tem fome.
Necessita cuidados.
Logo o Amor ficará de fora.
Quem o amparará?
Pode deixar de existir a qualquer momento.
É frágil, mas com uma força colossal.
Capaz de dar e tirar a vida.
Enriquecer e empobrecer.
Curar e adoecer.
É eterno, mas com vida única.
Pode desaparecer em frações de segundos.
E não mais voltar...
Adveio do infinito, o qual presenteou os finitos.
Cabe-lhes o cuidado.
A pior tragédia: O Amor morre e o homem continua vivo.
Um morto vivo andando pela terra à procura daquilo que deixou morrer.
Pobre e miserável deste.
A caixinha de cera continua a derreter...
Como água derrama-se.
Como óleo escorre.
A cera quente está a pingar.
No negrume sem fim.
No chão frio amontoa-se.
Sem vida...
O que se passará ali?
Quem remontará?
Qual o novo formato?
Meu coração de Cera está a derreter.
Cláudio M.

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