Uma árvore frondosa.
Cheia de vida.
Folhas amareladas.
Baixa a temperatura.
As folhas espalhadas pelo chão.
Um tapete dourado.
Reluz sobre os olhos.
É outono.
Lotada de várias sementes.
Várias folhas.
Vários galhos.
E via-se uma semente solitária.
Presa num fino galho.
Ainda não é chegada a hora de soltar-se.
As leis da vida governam sua liberdade.
Uma ventania aproxima-se
Os ares arrancam as folhas e as outras sementes.
Ela permanece intacta.
Única.
Dias se passam.
Um brando sopro da natureza sobreveio.
Desprende-se a semente.
Agora sem destino.
Circundada por plumas.
Desce lentamente.
Algumas gramas que carregam o gérmen.
O embrião que se transformará em toneladas.
Onde repousar dará lugar à pompa de um vegetal.
Uma brisa suave toma o controle.
Arrebatada ela foi.
Entregou-se sem limites.
Agora a semente vai onde o vento levar.
Sem direção.
Sem rumo.
Voltas circundantes pelo espaço.
A semente fascinada.
Nunca vivera aquela situação.
Pensava que conhecia, mas de nada sabia.
Uma intersecção de brisas a impede de assentar.
E continua em seu vôo sem destino.
E os olhos enchiam-se de emoção.
Noites e dias se passam.
Abraçada intensamente pelo vento.
Já não estava mais só.
Feliz, era a palavra.
E vivia uma espécie rara do amor-romance.
Amor-amizade.
Amor-completo
Entregou-se de forma pura e absoluta.
E perguntas sobrevém...
Onde repousará?
Em que terra cairá?
Afogar-se-á nas águas?
Tornar-se-á alimento de um bípede?
Poder-se-á cair no caminho de outrem e ser pisada e, as aves do céu a comerão.
Poder-se-á cair sobre a pedra e nunca firmar suas raízes.
Poder-se-á cair entre espinhos e crescer com dificuldade.
Poder-se-á cair em boa terra e será frondosa, copada e dará muitos frutos.
Onde quer que a minúscula semente pouse será ali o futuro.
O vento.
Permanece em silêncio.
Sem respostas.
Agora a semente é refém do vento.
Ele dotado do poder decisivo.
Dono do controle circunstancial.
Do domínio.
Da vida da semente.
Ela a espera do futuro.
Sou a semente.
Você o vento.
Cláudio M.
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