
Estava frio, mas tive calor.
Meu coração galopava no peito.
Meu rosto fervia.
O suor descia frio.
Evaporava na pele quente e trêmula.
Tive náusea.
Fiquei tonto.
Minhas mãos formigavam.
Meus pés dormentes.
Os olhos abriam e fechavam.
Cada vez ficava mais difícil enxergar o horizonte.
Tive medo.
Quis gritar.
Eu já respirava com dificuldade.
Faltou-me o fôlego.
Entalei com o silêncio.
Senti meu íntimo se despersonalizar.
Eu já conseguia me ver.
Flutuava sobre mim os meus olhos.
Os calafrios me atormentavam.
Lembrei-me da morte.
Pensei que fosse partir.
Sensação infausta.
Senti minha mente vazia.
Mas pesava como chumbo.
E a dor latejava sem misericórdia.
Eu já imaginava meu pescoço desfazer-se a qualquer momento.
Meus neurotransmissores gotejavam na velocidade da luz.
Tudo se tornava hostil.
Um ar beligerante nas sinapses.
Ameaçado pelos neurônios, eu estava.
As unhas entranhavam-se na almofada da cadeira.
Algo estava prestes a acontecer.
Neurastenia.
Minhas lembranças vestiram-se de branco.
Pensei que era paz.
Trégua.
Descanso para as turbulências que eu desconhecia.
Mas minha memória tomou lugar de enfermeira.
Fui refém.
Amordaçado por dentes que rangiam.
Lábios trancados por uma contração involuntária.
Aplicou-me nas veias uma dose de desgosto.
Gota a gota eu sentia entrar como fogo.
A carne gemia.
Nas minhas veias jorrava decepção.
Nas entranhas corria o dissabor.
Tive sintomas de desilusão.
Uma dose quase letal de mágoa.
As lembranças me traziam dor.
Ali o meu discernimento corria da recordação.
O que estava enterrado ressurgia sem piedade.
Esmigalhando o resto de sentimentos que me havia.
Eu precisava fugir dali, mas não pude me abandonar.
Um dilúvio sobreveio na minha expectativa.
Afogou-se nas lágrimas d’outro dia.
Cheguei à beira da loucura.
Do descontrole nervoso.
E senti a última gota daquele líquido de pesar medonho.
Tive instantes de alívio.
A batalha aproximava-se do fim.
Como um neuroléptico o meu Presente vencia a lembrança remota.
O ar voltava entrar livremente.
Os olhos retomavam seus eixos.
Nervos relaxaram novamente.
O coração pulsava como antes.
O ar funesto saíra.
A dor adormecia lentamente.
A cruel lembrança tomava distancia.
O Sol da esperança renascia.
Nuvens da expectativa surgiam do Infinito.
As escoriações desapareciam com o bálsamo da lealdade.
O presente sarava as escoriações.
E ali mesmo almejava o que me aprazia.
O Futuro.
Cláudio M.
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